Projeto Geloteca transforma geladeiras velhas em livrarias para a capital
Iniciativa cooperativa, criada por professor de escola pública, leva literatura, arte e sustentabilidade para periferia
Por Eduardo Granado
Geloteca é um projeto cultural que transforma uma geladeira desativada em uma estante para livros, a qual recebe um grafite estilizado. Uma pessoa que passa por uma geladeira pode escolher deixar ou retirar um livro do local.
O projeto, idealizado pelo professor da rede pública, João Belmonte, tem como objetivo transmitir conhecimento literário, transformar a paisagem comum à população e incentivar a sustentabilidade ao reutilizar geladeiras que seriam descartadas. As geladeiras são colocadas em locais de fácil acesso, como parques, praças e estações de trem da CPTM.
Em entrevista para o Central Periférica, Sarah Oliveira, integrante da equipe da Geloteca, conta que a motivação para a iniciativa foi a falta de incentivo à leitura e entrosamento entre professores e alunos. Além disso, os alunos mantinham um vínculo com o professor, independente da escola em que estudassem. Apesar da conexão escolar, a iniciativa não tem nenhum incentivo público para suas atividades.
Durante os 9 anos de Geloteca, o público aumentou e desprendeu-se de apenas alunos de escola pública, impactando também em trabalhadores e pessoas mais velhas. O sistema já está presente em outros estados, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Para Sarah, isso acontece pois “impacta quanto a você não precisar pagar, primeiramente, e depois, porque a gente sempre tem um livro de cabeceira que a gente já não usa mais, já leu, releu, e aí aquela pessoa tem um espaço para doar, então ela se sente pertencente de alguma forma”.
Embora haja uma defasagem da leitura da população brasileira, com quase 7 milhões de leitores a menos nos últimos quatro anos, o projeto é uma resistência para as populações dos locais onde gelotecas estão instaladas, que possuem uma nova postura em relação à literatura. Sarah conta: “O projeto funciona 100% com o pessoal das quebradas. Eles se mobilizam para a doação, tanto de geladeiras, quanto de livros. Então, eu acho que muda, e influencia muito na postura do pessoal”.
Além do mais, segundo os responsáveis pelo projeto, as geladeiras trazem vantagens frente às bibliotecas tradicionais, por promoverem uma menor burocracia e proporcionarem livros em alta no momento, que logo serão lidos e poderão ser devolvidos à uma Geloteca, garantindo o giro da leitura.
Para o futuro, a Geloteca tem o objetivo de ter um espaço fixo, como uma sede, onde seria oferecido atividades além da leitura. “A gente poderia proporcionar oficinas para o pessoal, para a própria comunidade, que é quem mobiliza o projeto. Poder trabalhar em projetos mais bem elaborados, é um plano, além de expandir para outros lugares”.
