Idosos de baixo nível econômico tem menor acesso à atividade física
Atividade física é essencial para um envelhecimento saudável segundo médico geriatra, mesmo assim, algumas pessoas podem praticar e outras não
Por Fernando Silvestre, Carolina Mattos e Manuela Trafane
Enquanto idosos de maior renda e escolaridade tem acesso à atividade física nos seus momentos de lazer, aqueles de renda mais baixa tem de se contentar com o exercício ligado ao deslocamento e ao trabalho. O mundo passa por um processo de envelhecimento populacional com o aumento da expectativa de vida. Como consequência, surgem novas necessidades para garantir melhor condição de vida para a crescente população idosa, dentre elas, a prática de exercícios físicos — essencial para seu bem-estar.
Na opinião do médico geriatra Jean Pierre, a disparidade de acesso ao exercício é algo visível na realidade brasileira: “O Brasil não oferece, pelo sistema público de saúde, tantos lugares gratuitos para praticar atividades, então a questão socioeconômica também dificulta sua prática”. Segundo ele, quanto menor for a renda do idoso, menor será seu índice de atividade, porque não pode pagar uma academia privada.
Outra questão é a necessidade de auxílio para a adesão de uma rotina saudável. “Eles têm maior dificuldade de locomoção, dor crônica, medo de queda e falta de motivação”, conta Pierre.“O paciente pode não ter carro, não ter mobilidade para ir à academia e outros locais para se exercitar”, continua, “por isso, precisa de ajuda”.
Assim, cresce a procura por cuidadores na sociedade brasileira — pessoas contratadas para ajudar o idoso em seu dia a dia e garantir seu bem-estar. No entanto, diversas famílias não têm a renda necessária para manter um profissional dentro de casa, o que pode custar de seis a dez reais à hora. Parar de trabalhar para cuidar dos membros mais velhos do núcleo familiar também não é uma possibilidade, já que isso implicaria em menos um salário para manter a casa.
Nessa perspectiva, ampliar a diversidade desses “lugares gratuitos” e especializados seria uma forma de aumentar o número de idosos imersos no mundo esportivo. “Seria ótimo se as prefeituras municipais se desempenhassem a fazer um serviço de hidroginástica e de academias para idosos, com educadores físicos especialistas na geriatria”, afirma Jean Pierre. Para auxiliar esse crescimento, deveriam ser promovidas bolsas e incentivos para estagiários de educação física que trabalhassem com idosos — criando uma força de trabalho experiente e pronta para integrar os novos espaços criados pelos governos locais.
A importância da atividade física para os idosos
De acordo com o artigo “Barreiras para a prática de atividade física em idosos: revisão de escopo de estudos brasileiros”, os idosos não praticam a quantidade de atividade indicada para a faixa etária — 150 minutos semanais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme o estudo, o principal motivo para isso são lesões, doenças ou dores crônicas.
A prática de atividade física influencia diretamente a qualidade de vida dos idosos — garante maior independência pessoal e promove a prevenção de doenças comuns na terceira idade. “Os idosos têm uma tendência à sarcopenia, doença musculoesquelética que leva a redução da força muscular. Apresentam um risco maior devido à redução da densidade óssea, além de alterações vasculares como hipertensão, diabetes e aumento dos níveis de colesterol”, explica o geriatra.
Ele acrescenta que a prática constante de atividade física por idosos melhora sua qualidade de vida, porque permite que façam atividades diárias sem grande dificuldade. Além disso, esportes ajudam a treinar a memória: “A prática de exercícios físicos impulsiona a prevenção de quedas e fraturas. Ajudam, também, na prevenção da demência, doença muito comum entre idosos”, aponta Pierre.
Além dos benefícios fisiológicos, a prática de exercícios trabalha a saúde mental dos idosos de forma intelectual e social. Ao ir à academia, por exemplo, é forçado a interagir com outras pessoas que não fazem parte de seu ciclo diário, o que exercita sua memória e atividade social. Para muitas pessoas mais velhas, o sedentarismo pode se tornar isolamento e solidão. “Atividade Física é essencial para um envelhecimento saudável”, diz o geriatra.
Por isso, a prática esportiva deve ser algo comum em todas as faixas etárias. No caso de pessoas com mais de 65 anos, Pierre destaca a importância de dois principais tipos de atividades: exercícios aeróbicos e de resistência. O primeiro grupo consiste em práticas que unem continuidade, ritmo e repetitividade, junção que melhora a resistência e o funcionamento do sistema cardiovascular. Isso ocorre uma vez que os exercícios aeróbicos exigem das capacidades cardiorrespiratórias.
Já os exercícios de resistência aumentam a massa muscular, força, funcionalidade e, também, diminuem o risco de sarcopenia. Além disso, o geriatra ressalta a importância da prática de alongamentos — modalidade responsável por melhorar o equilíbrio e aprimorar a flexibilidade.
Onde se exercitar na cidade de São Paulo?
O incentivo de práticas esportistas para a idosos mostrou-se nos últimos anos uma preocupação governamental. No caso da cidade de São Paulo, a prefeitura tem focado na revitalização das 46 unidades de centros esportivos (CEs). Os centros estão espalhados pelas cinco zonas da cidade: Sul, Leste, Oeste, Norte e Centro. Nesses locais é possível encontrar estruturas para a prática de esportes como, piscina, quadras e pistas de skate. Além disso, oferecem aulas gratuitas de alongamento, ginástica, entre outras.
Ainda na cidade de São Paulo, os centros educacionais unificados (CEUs) também são locais que incentivam às atividades esportivas. Um exemplo dessas unidades é o CEU Vila Alpina, localizado na Zona Leste. O centro disponibiliza para a comunidade aulas gratuitas de modalidade de esporte e arte variadas, como luta, tango e ballet.
