Bruno Perê incentiva a criatividade e a autonomia das crianças por meio da construção de brinquedos
Durante oficinas interativas, brincadeiras infantis vão muito além da simples diversão
Por Hellen Indrigo e Victor Gama
Durante oficinas que ensinam o passo a passo para a construção de diversos brinquedos, o educador e artista Bruno Perê busca incentivar o processo criativo e a autonomia das crianças. De acordo com ele, a prática é uma alternativa à rapidez do mundo moderno que, ao permitir o acesso a soluções rápidas e prontas para a demanda de diversão infantil, acaba minando o desenvolvimento da imaginação.
Para o educador, o acesso precoce à tecnologia e aos brinquedos que “já vem brincados de fábrica” prejudica o pensamento criativo: “No brincar cotidiano, percebemos que, às vezes, uma folha de papel ou um toco de madeira são muito mais estimulantes do que uma boneca já pronta ou um brinquedo já feito”. Ele complementa dizendo que a recepção de coisas prontas e “mastigadas” pelas crianças diminui o incentivo para a criação de novidades pelo imaginário.
Bruno conta que a ideia para a prática das oficinas surgiu em 2013, quando começou a trabalhar com crianças em uma Fábrica de Cultura na cidade de São Paulo. A intenção do educador era desenvolver ensinamentos sobre a arte urbana com os pequenos, mas, ao notar o interesse que os alunos dedicavam às brincadeiras, ele decidiu unir os dois universos: “Eu ficava forçando muito: ‘Agora vamos desenhar, senta aí, para de brincar’. Mas percebi que o brinquedo era o processo deles de criar”, afirma.
Ao utilizar algo do interesse das crianças durante o processo de aprendizado, Bruno trabalha o senso de responsabilidade e autonomia infantil de forma mais fluida. Por terem a liberdade de fabricar os seus próprios brinquedos sem medo do erro e sem a necessidade de seguir regras estritas, as crianças dão asas à imaginação e desenvolvem a confiança nas próprias habilidades. Além disso, a construção dos brinquedos também ajuda a despertar uma noção de processo: “Elas entendem que há o começo e o meio, e só depois as coisas ficam prontas”.
Um dos brinquedos mais curiosos que Perê já trabalhou com os pequenos foi a câmera escura. Com uma de suas turmas na Fábrica de Cultura, ele reaproveitou rolos de papel higiênico e as caixas de suco que eram entregues no lanche para montar uma pequena câmera que invertia as imagens através de uma lupa. O artista não costuma mostrar para os alunos como os brinquedos serão antes do fim da construção, e diz que a surpresa e a curiosidade que o resultado final causa é um gancho para o aprendizado de diversos conceitos que explicam o funcionamento dos inventos.
Além de trazer diversos benefícios às crianças, a oficina de brinquedos também é uma forma de incentivar a conexão entre as gerações. Em alguns espaços, os pais ou responsáveis podem acompanhar as crianças durante o processo de aprendizado, além de se envolverem na atividade. Para Bruno, essa interação fortalece os laços familiares que costumam ser prejudicados pela correria do dia a dia: “Não é só o brinquedo: é a vivência, a experiência que o brinquedo proporciona”.
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