Abra a mente para o CAPS: Entenda como funcionam os serviços de saúde mental no SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial, presentes no Brasil inteiro, atendem às demandas de saúde psíquica da população de forma gratuita
Por Enzo Campestrin, Fernanda Silva e Giovanna Accioli
![[Imagem: Reprodução/Freepik]](https://centralperiferica.eca.usp.br/wp-content/uploads/2024/11/caqpa-1024x683.jpg)
O Setembro Amarelo acabou, mas é importante falar sobre saúde mental durante todo o ano. Um dos caminhos para encontrar auxílio de forma acessível são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que ficaram famosos na internet por conta de memes um tanto distorcidos sobre sua função.
O que é o CAPS?
O Centro de Ajuda Psicossocial surgiu em 2002, com a intenção de amparar pessoas que precisam de tratamento psicológico pelo Sistema Único de Saúde, com tratamento personalizado para cada grau de complexidade e pessoa, o CAPS surgiu apenas para substituir os hospitais psiquiátricos e oferecer um atendimento digno.
As modalidades do CAPS vão de I a III, levando em consideração a intensidade do tratamento necessário, há também o CAPS AD (Álcool e Drogas) e o CAPS i, para crianças e adolescentes. Atualmente, são seis modalidades que se diferenciam por grau de complexidade e número de habitantes do município.
Suas funções são: oferecer acolhimento diário, oferecer atendimento individual ou em grupo, diagnóstico situacional e clínico, elaboração de estratégias de tratamento para cada paciente de acordo com suas necessidades, realização de visitas domiciliares, supervisão e treinamento das equipes de atenção básica, entre outros.
As piadas com o CAPS
Os memes do CAPS ficaram populares em 2024, quando adolescentes passaram a usar uma imagem do local para fazer referência a situações ou pessoas que são consideradas anormais ou insanas, essas relações antiéticas normais para a cultura manicomial.
Apesar dos memes, o CAPS é responsável pelo tratamento de muitas pessoas. Um exemplo, é a influenciadora Vitória Mendes que faz tratamento na instituição desde 2023, quando descoberta em uma tentativa de suicídio. Atualmente, ela utiliza os serviços de psiquiatria, psicologia e terapia ocupacional em uma unidade do CAPS localizada no bairro do Boqueirão, na cidade de Praia Grande.
![A jovem Vitória Mendes não tem vergonha alguma de postar em suas redes sociais sua rotina de tratamento [Imagem: Reprodução/Instagram/@realvickimendes]](https://centralperiferica.eca.usp.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3-1024x576.png)
“Eu sempre digo que o CAPS salvou minha vida, porque além de eu ter a oportunidade de ter tudo isso gratuitamente, eu não estou mais apenas existindo, mas voltando a participar da sociedade um pouco um pouco “
Vitória Mendes
Além disso, ela conta que consegue através do SUS dois dos três medicamentos necessários para o seu tratamento.
Vitória também falou sobre como não gosta da forma como o local tornou-se motivo de piadas na internet. Ela acredita que estigmatiza a saúde mental, transformando-a em um motivo de vergonha e também por afastar as pessoas do tratamento: “ É a única oportunidade de cuidado mental que a classe mais baixa tem. Sinto que as piadas, além de desumanizar quem usa, afastam outras pessoas de pedir ajuda. ”
Como encontrar ajuda?
Segundo o portal da Prefeitura de São Paulo, os CAPS possuem um regime chamado “portas abertas”, ou seja, não são feitas solicitações de agendamento prévio ou encaminhamento médico.
Entretanto, a realidade é diferente. Em entrevista aos repórteres da Central Periférica, a supervisora de assistência social Érica Rodrigues Nestlehner Pereira, responsável pela região de Sapopemba, e por muitas vezes encaminha pessoas para os serviços da Central de Atenção Psicossocial. Ela afirma que existe uma grande demanda pelos serviços sociais, em especial o CAPS, que não é capaz de suprir o volume de pacientes. “Nós não temos perna. O serviço público está sucateado, a gente precisa de mais funcionários”.
Essa falta de profissionais resulta na formação de filas extensas por toda a capital paulista, que acabam por atrasar ou até impedir os tratamentos e diagnósticos. Érica afirma também que a escassez de unidades de tratamento por região piora a crise no sistema público, concentrando pacientes nas mesmas clínicas e estendendo ainda mais as filas. Uma solução, segundo ela, seria uma reformulação no plano de governo que abrangesse mais a ala da saúde psíquica, dando condições para o funcionamento digno desses estabelecimentos.
Por fim, ela conta que, em casos de maior urgência ou atendimento imediato, é mais indicado buscar os serviços dos prontos-socorros do SUS. “O CAPS tem um serviço mais especializado, de acompanhamento” e não tem infraestrutura para atender situações de emergência, segundo Nestlehner.
Confira aqui a lista completa dos Centros de Atendimento Psicossocial da cidade de São Paulo.