Precarização do transporte público afeta trabalhadores da 6×1
Enquanto o Governo investe em linhas novas, passageiros relatam dificuldades para se movimentar pela cidade devido às dificuldades do sistema já existente
Por Bianca Candido, Laura Cristofoletti e Kaylaine Farias
Com a inauguração da nova linha ouro, a estrutura do transporte público de São Paulo alcança um novo trajeto, que integra a Zona Sul ao Aeroporto de Congonhas. Em meio a época de eleições, a linha ouro é apenas um dos novos eixos de transporte anunciados pelo Governo Estadual, assim como a nova linha 6 – laranja, que durante anos teve suas obras paralisadas, e agora, retomadas com previsão de entrega até o fim do mês de junho. Tal linha vai atender as áreas da Zona Norte até Perdizes, com estações próximas às faculdades PUC e FAAP.
Por dia, quase 8 milhões de trabalhadores utilizam esse meio de transporte para se locomover. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transporte Público), afirma que o transporte sobre trilhos cresceu menos do que o necessário para comportar o número de usuários. Uma pesquisa feita pela Via Mobilidade e divulgada pelo site Mobilidade Estadão, pontua que a estação mais movimentada do metrô de SP é a linha 3- vermelha, com destaque para a estação Sé, que se localiza no centro da capital.
De acordo com a Folha de São Paulo, as linhas mais utilizadas pelos trabalhadores são a linha 8- diamante, linha 9-esmeralda e linha 11-coral. O grande fluxo de passageiros é influenciado pela localização das estações, presentes nas regiões Oeste, Leste e Sul da capital, áreas de intenso deslocamento da residência ao trabalho em municípios diferentes.
Roberto Magalhães dos Santos trabalha como zelador em um condomínio na Zona Oeste de São Paulo. Para chegar ao trabalho, ele inicia seu trajeto diário em Rio Grande da Serra, primeira estação da linha 10 – turquesa da CPTM, utiliza duas linhas metroferroviárias e gasta duas horas no percurso. “Eu saio às 5 horas, (…) Aí, para chegar aqui às 8 horas da manhã, né? Para estar no posto, 8 horas. (…) Geralmente eu vou em pé, entendeu? Quase duas horas em pé, praticamente, de trajeto ali. É cansativo”, relata Roberto.
Quando questionado sobre pontos que exigem melhorias dentro do sistema de transporte, ele diz: “Mais agilidade, mais rapidez nos trajetos, né? Porque se torna, assim, um trajeto longo e demora muito tempo. E sendo que uma empresa, para ser tão grande como a CPTM, poderia colocar, tipo assim, tem condições de colocar três melhores, né? Qualidades de trem melhores”.
Larissa Gonçalves Agner é controladora de acessos no mesmo condomínio da capital, ela também utiliza o sistema de transporte metroferroviário e critica a duração do tempo de seu trajeto até o trabalho. Ela gasta aproximadamente duas horas no seu deslocamento, o que afeta na regulação de seu sono, pois Larissa sai de sua residência por volta das quatro e dez da manhã.
Ambos mencionam a dependência dos passageiros pelos trens e metrôs, sem esse meio de transporte o deslocamento até o trabalho se tornaria inviável. “Se eu for pagar um Uber é 50 reais, se for em dias de chuva, é 100 reais”, afirma Larissa. Em relato, Roberto ainda acrescenta: “Não tem outro jeito, né? Se der um problema nos trens, acabou, eu não venho trabalhar. E outra, a empresa não vai pagar um Uber para mim, que seria quase 200 reais”.
Em conversa com o Central Periférica, os dois trabalhadores concordam que a escala 5×2 seria uma opção mais confortável. Larissa disse que o tempo de espera nos fins de semana é mais demorado, há a redução da quantidade de carros metroviários e o processo se torna mais cansativo do que costuma ser de segunda a sexta.
