O que há por trás da proibição do glitter pela Anvisa

Entenda os malefícios do glitter alimentício e sua proibição pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Por Emmanuelita Emmanuel e Gabriela Ananias

Em 2025, um vídeo postado nas redes sociais sobre os glitters utilizados na confeitaria e tidos como comestíveis pela maior parte do público chamou atenção na internet.  Essa decoração tão famosa em padarias, aniversários, comemorações e confraternizações, era nada além do que o Glitter comum em uma embalagem vistosa, com ingredientes como PP micronizado, ou Polipropileno. Este ingrediente não é comestível de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que o considera um microplástico (partículas plásticas menores do que cinco milímetros).

Bruna Ferola é técnica em nutrição e dietética, estudante do oitavo ano de nutrição e ex-dona de uma pequena confeitaria focada em produtos seguros para o consumo humano. Ela  alerta: o ideal para uma alimentação adequada é seguir o Guia Alimentar para a população brasileira e sempre ler os rótulos dos alimentos que está comprando no mercado. Se na lista de ingredientes consta um item que o nome não faz sentido ou que você não conhece, o ideal é acender um alerta e evitar esse alimento, priorizando itens que são conhecidos, como ovos, leite e até mesmo açúcar.

Bruna comenta que sempre evitou o uso de corantes artificiais, quando fazia seus doces, pois eles fazem mal para a saúde. A nutricionista destacou que o risco de se consumir itens de confeitaria inseguros, que não sigam as normas da ANVISA é maior do que eventuais benefícios  estéticos, pois podem causar problemas não só imediatos mas que se postergam e podem durar durante toda a vida. 

Uma confeiteira que preferiu não se identificar relatou que por muito tempo usou glitters decorativos sem saber que eram, em sua maioria, feitos de PP micronizado, uma vez, que eram vendidos em prateleiras de mercado junto com glitters de itens autorizados e possuíam nomes que remetem a ingredientes muito utilizados na produção de doces. Uma das marcas inclusive utiliza o nome de uma bastante famosa nos Estados Unidos por fabricar glitter alimentício.

O que é permitido pela Anvisa

O PP micronizado já foi citado anteriormente como não comestível e teve seu uso proibido na fabricação e decoração de alimentos. No entanto, o dióxido de titânio já foi considerado impróprio para consumo. Esta substância foi proibida em 2017 na Europa por ser considerada cancerígena. Em 2024, a ANVISA, porém,  decidiu não proibir o produto após considerar insuficientes as evidências da toxicidade do dióxido de titânio na alimentação humana. A Anvisa possui um esquema com os itens permitidos para consumo humano

Como identificar glitter comestível

  • Leia sempre a lista de ingredientes.
  • Procure a frase “PRODUTO COMESTÍVEL” ou “USO ALIMENTÍCIO”.
  • Desconfie de rótulos apenas com a expressão “não tóxico” — isso não significa comestível.
  • Cheque se há registro ou referência à regulamentação da Anvisa.
  • Evite embalagens que parecem artesanais ou improvisadas.