Estudantes dos CEUS disputam olimpíada estadual

Em sua 14a. edição, InterCEUS tem Competições em diversas modalidades

Por Letícia Longo, Giovanna Martini, Emmanuelita Emanuel, Victória Guedes, Gabriela Ananias, Isabela Ferro, Débora van Putten

Competição de rugby tag durante a XIV edição do InterCEUs nas Olimpíadas Estudantis reúne cerca de 300 alunos no CEU Meninos – Foto: Amanda Barboza/Arquivo pessoal

A 14° edição do InterCEUs – programa esportivo educacional da Rede Municipal de Ensino de São Paulo – teve início no dia 16 de agosto e se prolonga até 30 de novembro. O campeonato visa promover momentos de convivência, aprendizagem e participação comunitária, reforçando ambientes culturais, esportivos e coletivos nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). O evento conta com a participação de alunos matriculados em atividades de esporte e lazer dos CEUs e dos Centros de Educação e Cultura Indígena (CECIs). 

O InterCEUs reúne categorias individuais e coletivas, além de atividades inclusivas para pessoas com deficiência. As modalidades solo dispõem de esportes como a Ginástica Artística, Rítmica, Judô, Natação e Tênis de Mesa. As disputadas em grupo contam com Futsal, Basquete, Atletismo, Handebol, Vôlei e Rugby Tag. Os jogos ocorrem em 578 Unidades Educacionais e 58 CEUs diferentes espalhados pela cidade de São Paulo, reunindo  alunos dos CEUs e CECIs representando suas unidades no torneio.

O atletismo escolar conta com sete polos de disputa realizados em diferentes regiões da cidade pelas Olimpíadas Estudantis da Cidade de São Paulo, onde estudantes competem em provas de pista (50m a 600m e revezamento) e campo (arremesso de peso, salto em altura, entre outras). Os dois melhores atletas de cada Diretoria Regional de Educação (DRE) garantem vaga na Grande Final Municipal, marcada para 8 de outubro.

A variedade de esportes incluídos nos InterCEUs acaba por promover o acesso à informação dos jovens periféricos sobre a vida esportiva. Segundo Felipe Sousa da Silva, professor de Educação Física, a principal diferença entre a maneira a qual crianças periféricas e  de outras regiões praticam esportes está no acesso à informação a respeito das práticas esportivas. “Se chegarmos nas crianças da comunidade e perguntarmos o que é o esporte, muitas delas vão falar que é futebol, apenas isso e mais nada. Então, a falta de informação chega totalmente diferente em uma criança periférica e uma criança do centro”, diz Felipe.

Função social

Além do atletismo, no InterCEUs, o tênis de mesa e o rugby tag, já realizados, marcaram suas vitórias na etapa InterCEUs. No tênis de mesa, a EMEF Quinta do Sol, situada na Zona Leste de São Paulo, destacou-se com vitórias em categorias como Pré-Mirim e Infantil. Já no rugby tag, o CEU Azul da Cor do Mar (DRE Itaquera) brilhou: foi campeão na categoria Pré-Mirim após um jogo contra o CEU Lajeado, além de vencer por WO na categoria Infantil por ser o único inscrito. A fase regional serve como funil para a final, destacando talentos locais e promovendo o espírito de equipe, além da cidadania do aluno.

“O esporte ajuda muito o aluno na parte social. O aluno aprende a respeitar um ao outro, saber perder, saber ganhar, trabalha muito a parte emocional do aluno. Muitas vezes, o aluno tem como escape o esporte na parte emocional, de ansiedade, autocontrole”, afirma Felipe.

De acordo com o Regulamento das Olimpíadas Estudantis e do InterCEUs 2025, o evento esportivo tem como principais objetivos implementar o Esporte como ferramenta de desenvolvimento educacional e cultural, além de fomentar intervenções pedagógicas fundamentadas nos princípios inerentes ao Esporte, desenvolvidas de acordo com a realidade educativa do ambiente escolar. 

Impacto

Em entrevista ao Central Periférica, o atleta Beckham Oziren, de 18 anos, falou sobre o seu desejo, na sua época de estudante, de participar das Olimpíadas Estudantis. “Era meu sonho”, diz Beckham. “Quando estudava em escola pública, não tinha olimpíadas de esportes, só tinha interclasse, e é legal também, mas não é o mesmo que ir para outra escola, competir com estudantes de outras escolas com torcida. Nas escolas públicas tem muita gente que sabe jogar vários esportes, dos que exigem mais concentração aos que exigem mais do físico, porém, não tem muitos espaços para competir, competições, como as olimpíadas costumam acontecer mais em escolas particulares.” 

O comentário do jovem reforça o impacto das atividades de integração para a juventude e para o ambiente estudantil, e revela, também, um grande avanço em relação às oportunidades competitivas para os jovens esportistas de escolas estaduais. Com auxílio do site de apoio dos CEUs, pais e responsáveis conseguem acessar as performances de seus filhos. Vídeos sobre as apresentações de ginástica artística ficam disponíveis tanto para os interessados no evento quanto para a própria análise dos resultados das olimpíadas. Os participantes e outros conseguem visualizar as tabelas e resultados por via totalmente online, democratizando a informação e promovendo maior interação com o público, além da opção de vídeos e das notícias do próprio portal InterCEUs.